quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A possibilidade de uma ilha #32

Discos Orfeu (STAT 017)
1973

Lado A
1-Rio largo de profundis 
2-Era um redondo vocábulo
3-Nefretite não tinha papeira
4-Adeus ó serra da Lapa
5-Venham mais cinco

Lado B
1-A formiga no carreiro
2-Que amor não me engana
3-Paz, poeta e pombas  (com José Mário Branco)
4-Se voaras mais ao perto
5-Gastão era perfeito

Na ilha

Porque a Nefretite não tinha papeira e o Tuthankamon apetite. 
Porque o Gastão era perfeito. 
Porque a formiga no carreiro vinha em sentido contrário...

Os segundos sentidos são os daquele tempo:
"a Paz saltou dos olhos do poeta atacada de psicose maníaco-depressiva (foi então que as pombas solicitaram nas agências as tarifas pois não viram mais o poeta que gozava, na Suiça, duma licença graciosa)".

Gravado em 1973, em Paris, com arranjos e direcção musical de José Mário Branco este é o último disco do José Afonso gravado antes do 25 de Abril.

Este é um disco que jamais me poderia faltar.

"Era um redondo vocábulo", poderá ser, num dado momento, a canção mais bonita que há.

A canção

Era um redondo vocábulo

A letra

Era um redondo vocábulo
Uma soma agreste
Revelavam-se ondas
Em maninhos dedos

Polpas seus cabelos
Resíduos de lar
Nos degraus de Laura
A tinta caía

No móvel vazio
Convocando farpas
Chamando o telefone
Matando baratas

A fúria crescia
Clamando vingança
Nos degraus de Laura
No quarto das danças

Na rua os meninos
Brincando e Laura
Na sala de espera
Inda o ar educa

2 comentários:

  1. Era tão bom que o ar nos pudesse educar...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Esta letra sempre me intrigou. A fúria de Laura clamando vingança e nos degraus matando baratas. O móvel vazio convocando farpas. Resíduos de lar. Uma soma agreste....

      Eliminar