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“O canto nómada” é o título em português do livro “The Songlines” de Bruce Chatwin (1940-1989) que fala da sobreposição de dois mundos: o nosso, das
autoestradas, da propriedade privada, e de tudo o mais e um outro, o mundo dos
caminhos cantados que é assim descrito pelo autor:
“… o labirinto de caminhos invisíveis que percorrem todo o território
australiano – itinerário conhecido dos Europeus pelo nome de “pistas do sonho”,
ou “trilhos do canto”, e que os Aborígenes chamam “pegadas dos antepassados” ou
o “caminho da Lei”.
Os mitos aborígenes da Criação falam dos lendários seres totémicos que
vaguearam pelo continente na época do Sonho cantando o nome de tudo que se
atravessava no seu caminho – aves, animais, plantas, rochas, bebedouros – dando
assim existência ao mundo pelo canto.”
E de como esta sobreposição está a destruir aquilo que de mais sagrado há nas
culturas aborígenes.
Chamei assim a esta sessão.
Não porque as 13 canções apresentadas sejam daquele mundo sagrado. Não! São
do nosso, do que a tudo se sobrepõe, mas porque daquele livro me ficou a ideia
de que a sonhar se criou um mundo, cantando-o.
A Dream Pop nomeia grupos e autores cuja música, pelas vozes e melodias, remete
para paisagens sonoras que evocam a sensação de um espaço etéreo e difuso como
num sonho.
Será assim a sessão de hoje: melódica, etérea e difusa.
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A imagem
Shelley Winters |
1899-1962


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